RADICALISMO MINORITÁRIO

A OPINIÃO MAJORITÁRIA DEVE PREVALECER

Que a sobrevivência do Estado democrático de direito e o regime de democracia representativa estão em risco, creio que a maioria da opinião pública não duvida. Certamente, porém, não há acordo a respeito do diagnóstico sobre a natureza e os mecanismos causais que explicam esse risco. De um lado, a oposição de esquerda detém, na Câmara, menos de 25% da representação nacional, enquanto o neo-populismo de direita detém outros tantos.

As pesquisas de opinião, com todas as suas limitações, refletem em grande parte, essa distribuição no eleitorado em geral. Entretanto, na opinião pública politicamente ativa – isto é, entre as lideranças políticas, profissionais, empresariais e institucionais em geral – não creio que eu esteja equivocado em estimar que a imensa maioria não se identifica com nenhum desses dois lados que mantêm, entre si, uma radicalização extremada. E têm como estratégia básica, impor esse extremismo à sociedade como um todo.

Não passarão? Acho que podem passar sim, se não houver uma reação contrária enérgica dos que desejam a paz social, a estabilidade política e a retomada de uma economia sustentável, acima das diferentes convicções políticas.

Temos um grande trunfo, que é a total incapacidade do revanchismo de esquerda e do fundamentalismo de direita para falar para outra audiência que não para si mesmos. Não falam para a sociedade em geral, nem para as instituições, nem para o sistema político – inclusive para o Executivo como um todo. O Presidente é provavelmente o que mais se esmera nesse solilóquio.

Não vou me alongar, voltarei com maior precisão nos argumentos. Quero concluir sugerindo que a universidade, os cientistas e executivos públicos, as lideranças profissionais, as lideranças políticas, não podem deixar-se levar pelas ofensas e ataques que vêm sofrendo, pagando na mesma moeda e falando para o público interno. É preciso falar com o Congresso, com o sistema judicial, com a sociedade em geral e com o Executivo – e não se limitar a ficar na defensiva e atacar o núcleo fundamentalista e o próprio presidente.

Precisamos de agendas propositivas.

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