QUANDO SE FALA EM CULTURA, UNS PUXAM UMA ARMA, OUTROS UMA PENA, OUTROS PÕEM A BOCA NO MUNDO

DIRIA MACHADO QUE A CONFUSÃO É GERAL

A crise da gestão das políticas de subsídios a certas atividades “culturais”, que tem-se agravado desde o colapso da era Lula, diz respeito, na verdade, ao mecenato público, costume muito mais antigo do que a Sé de Braga. Deve seu nome a Caio Mecenas, uma personagem do serralho de Otávio César Augusto – o primeiro imperador romano – que dotou Roma de grandes obras arquitetônicas e artísticas – com fundos do tesouro, é claro.

Por sua vez, o grande apogeu do mecenato privado foi a Renascença, mas tampouco foi independente do mecenato público. É preciso não esquecer que tanto o mecenato dos imperadores romanos como o dos duques, príncipes e papas da Renascença eram, por essência, um instrumento de poder, ou, mais precisamente, instrumento de influência a serviço do poder.

O mecenato foi instrumental na separação entre o mestre artesão e uma categoria quase nobiliárquica de artistas que se notabilizavam por conviver com os Grandes deste mundo, e gozavam, além das prebendas, de alguma imunidade para “extravagâncias” geralmente permitidas apenas aos poderosos. Tanto “extravagâncias” de estilos de vida quanto “radicalismo” de ideias. Os poderosos usavam as artes para intimidar seus competidores, para seu próprio deleite, e para ofuscar o povo e cooptar os artistas e, os artistas, para seu próprio deleite espiritual e material.

Não foram os nazistas, portanto, que inventaram o mecenato de Estado como política de distribuição de cenouras para os “bons” e porrete para os “maus” artistas. Göbbels se destacou apenas por ter chegado ao poder um século após as grandes revoluções liberais da Europa. E, agora, a crise da gestão da cultura do governo Bolsonaro se notabiliza por refletir a essência de um governo cujo alvo é combater fantasmas extintos quase um século e meio atrás.

Os governos autoritários – de direita e de esquerda – tem a mão mais pesada, tanto na cooptação quanto na censura de agentes das letras e artes. Mas não se trata do vício de uma tendência ideológica em particular, e sim, do vício do uso privado do bem público. Todo subsídio tem esse vício, pois usa bens públicos para privilegiar agentes privados. Por mais que seja defensável por motivos humanitários, financeiros, de política econômica ou de estratégia de segurança e defesa, deveria ser a exceção, e não a regra. Mas é um privilégio, e não um direito, uma vez que tira de todos para dar para alguns.

Nesta confusão geral, ouvi argumentos de todos os tipos e cores: os artistas não se sentem representados, é um discurso de ódio contra os judeus, manifestar ideias nazistas é um crime. Não ouvi que a questão relevante, em minha modesta opinião, é que, com o sem Roberto Alvim, o vício em foco é o limite entre o bem público e o interesse privado, que claramente o Presidente Bolsonaro não aceita, nem pretende levar em conta.

AS EMENDAS TOFFOLI

As emendas mais poderosas do sistema legislativo mundial são as emendas de Toffoli. Não podendo propor emendas para votação no Legislativo, ele se põe a emendar autocraticamente Leis já sancionadas e, não contente, regulamenta sua implementação e corrige o que não lhe satisfaz. O que seria pior, um Legislativo sem credibilidade e suspeito de corrupção, ou uma pensa ensandecida.?

41 comentários sobre “QUANDO SE FALA EM CULTURA, UNS PUXAM UMA ARMA, OUTROS UMA PENA, OUTROS PÕEM A BOCA NO MUNDO

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