PÉROLAS DO DIA-A-DIA

CHAMA O LADRÃO,  CHAMA O LADRÃO!

Vou deixar de dar atenção a esses espetáculos das corporações de promotores, senão vou acabar torcendo pelo ladrão.

Talvez uma razão importante do sucesso e da alegria provocados por esse sambinha, mencionado no título, tenha sido alguma dimensão do humor: a troca de papéis e a subversão da ordem das coisas. As forças da ordem se ocupavam, naquele tempo, em invadir sem amparo legal, prender, bater, sumir. Queixar-se a quem, se não ao Bispo, procurar proteção de quem, se não do ladrão?

Estou cansado de ver repetir-se a mesma lenga-lenga: não se pede depoimento, prende-se. Não se pede comprovações, apreende-se. A denúncia é feita e aceita pelo juiz antes de se completar a investigação e de informar ao réu seus direitos.

Como na inversão de papéis do sambinha, o processo criminal começa com o veredicto, ventilado em todos os canais, com um criminoso já designado, às vezes já indiciado e denunciado – aí, então, para benefício da imprensa e das galerias, vêm as buscas e apreensões. Parece que nenhuma ação de ordem pública está sacramentada se não for acompanhada e filmada passo a passo.

Como ainda não esqueci dos anos de ditadura, acabo me identificando com as  vítimas.

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