PÉROLAS DO DIA-A-DIA

INFORMAÇÃO DESINFORMADA

Ouvi, numa rádio, provavelmente de um apresentador, que os projetos piloto de combate ao crime violento do ministro da Justiça e Segurança não tinham meta. Projeto piloto sem meta disse ele, seria o mesmo que a ex-presidente Dilma, dizendo que não tinha meta, mas quando alcançasse a meta, dobraria a meta. Comentou que talvez pudesse ser incluído entre os insultados pelo presidente Bolsonaro, pois não entendia nada. É, talvez pudesse, mas certamente útil é que não seria.

Por que cinco cidades, explicou ele, quando há milhares de cidades no País? Depois seriam 50, depois viriam 500? Isso não levaria a lugar nenhum, seria puro marketing. Bom, o significado das palavras não é feito para humilhar ninguém, mas se Você ignora totalmente o que é um projeto piloto, por que não se informa, antes de desqualificar as pessoas e as iniciativas dos outros?

A China, é um País que se destaca por suas extensas e profundas reformas políticas, sociais e culturais – para o bem e para o mal – passando em poucas décadas, do socialismo mais retrógrado e totalitário para uma superpotência capitalista (à sua maneira). Pois a China praticamente não adotou nenhuma política pública sem antes testá-la em projetos piloto. Isso envolvendo desde a implantação de um novo sistema financeiro, até a adoção de regras para migrações internas e eleição do Presidente.

Um projeto piloto é, em essência, um experimento técnico-científico, um estudo múltiplo de casos que, devidamente controlado com a metodologia adequada, permite
comprovar o efeito de um conjunto de ações sobre a evolução de um determinado processo sócio-político-econômico. Com isso, é possível para corrigi-lo e adota-lo ou não segundo os resultados alcançados, para evitar estendê-lo e difundir efeitos indesejados em toda a nação. A adoção de metas distorceria totalmente o experimento, pois o objetivo do teste não é alcançar resultados desejados, mas sim diagnosticar os efeitos sociais e econômicos do projeto, desejados ou não, principalmente estes últimos.

O rádio talvez seja o principal instrumento popular de informação. Não gostaríamos de vê-lo promovendo cada vez mais opiniões e menos informação.

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