PÉROLAS DO DIA A DIA

PRESIDENCIALISMO DE ORÇAMENTO

Presidencialismo de Orçamento é o novo regime brasileiro de governo. O pior presidencialismo do mundo, que deságua sempre em governos minoritários, incita os partidos a disputarem, em vez do poder, um naco do orçamento.
O Congresso enfrentou um Bolsonaro desafiador, mas sem cacife. De joelhos, tentou comprar o Centrão: acabou entregando o governo e foi cuidar de suas obsessões. Com três anos sem governo, mais vale partilhar o orçamento do que disputar o governo.
Estou mal informado, ou todos os partidos admitem que disputar a presidência é secundário e aumentar a bancada é o que vale? Bolsonaro e o Centrão já deixaram claro que governar é um ônus inútil e partilhar o orçamento é o verdadeiro bônus.

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        LULINHA PAZ E AMOR JÁ NÃO É O MESMO
Lula ganhou todos os debates que disputou, metade se elegeu e metade perdeu. O melhor marketing sempre foi o do PT, ganhou metade, metade perdeu. Lula de barbudo enfezado, sempre perdeu. Fantasiado de Lulinha Paz e Amor, sempre ganhou.
Lulinha publicou um pacto com os Grandes, oposto ao que dizia ao seu Povo. Incinerou o “neoliberalismo” de FH, mas adotou à risca seu legado. Seu malabarismo foi imenso e a incompetência de seus opositores ainda maior. Mas tudo mudou.
Já não sabe o que fazer com a economia e a política. Não consegue manobrar a esquerda nem atrair a direita. Seu esquerdismo não engana e a barretada à direita não funciona. Ainda é bom para embaralhar as cartas, mas não para tirá-las da manga.

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BOLSO-LULISMO, O NOVO POPULISMO
A tática BolsoLulista da polarização precisa do povo repudiar como o tratam as instituições de governo. Melhor para populistas de esquerda ou direita. Só um novo líder que dispense as instituições e elimine os políticos pode salvar o País.
Condições do sucesso do populista: popularidade e habilidade no jogo do nós ou eles. É “nada se fez nos últimos 522 anos sem a mão ungida do Timoneiro”, contra “a mão armada do Mito vai acabar com tudo o que se fez nos últimos 522 anos”.
3ª Via é uma via: uns vão em frente, outros para trás, outros nada. O critério comum dos partidos é a popularidade, mais a habilidade para emular os BolsoLulas. Bom para neófitos sem programa nem equipe de governo. Ruim para todos nós.

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                              PÉROLAS DE CIRO

Ciro sabe o que quer, diz o que quer, faz sempre o que bem entende, e o resultado é sempre o mesmo: sem fôlego para o 2° turno. É preparado, experiente, deixou legado no governo do Ceará, mas não aprende com as próprias derrotas.

Em 2018, foi uma das apostas da 3ª via. Com a esquerda ocupada por Lulhaddad, só restava ir para a direita para enfrentá-lo no 2° turno. Ou ficar credor do Lulhaddad renunciando para apoiá-lo. Não fez uma coisa nem outra. Deu no que deu.

Voltou mais Ciro do que nunca, na linha contra Deus e o mundo. Abriu sua campanha com um pot-pourri do que há de mais controverso, tanto na esquerda petista quanto na direita bolsonaresca, além de execrado entre os moderados. Tem jeito?

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