PÉROLAS DO DIA-A-DIA

HUCK E OS PARTIDOS NEM-NEM

DEMOS PARABÉNS AO HUCK POR SUA NOVA FUNÇÃO

Já era tempo do Huck, depois de 6 anos de brincar de líder político, decidir que suceder ao Faustão é melhor do que suceder ao Bolsonaro – melhor para ele e para todos nós.

Curioso como líderes políticos calejados conseguem ver, num aventureiro sem experiência política, seja de bastidores ou de massa, jejuno em matéria de gestão pública, apenas porque brilha nas ribaltas e sabe conversar com renomadas lideranças, possa enfrentar com sucesso uma crise destas dimensões! O destino dos aventureiros é tornarem-se déspotas, esclarecidos ou não. Afinal, ter a pretensão de chefiar o Executivo de um grande e complexo país, com essas magras credenciais, exige um grau extremo de onipotência.

LÍDERES DE PARTIDOS QUEREM DAR O QUE NÃO TÊM A QUEM NÃO QUER

Presidentes do grupo de partidos nem-nem – nem Lula nem Bolsonaro – reúnem-se para negociar um ou mais candidatos comuns às próximas eleições presidenciais. O que se sabe desses partidos é que padecem da mesma fragmentação que atinge a representação política no Brasil. Logo, a autoridade formal de seus presidentes só vale se os demais caciques do partido deixarem e, assim mesmo, nem sempre cumprem o que foi acertado.

Um humorista letrado caricatura o célebre psicanalista francês, Jacques Lacan: “O que qué isso, Jáqui Loucão, você quer dar o que não tem para quem não quer? Sai dessa!!!”. Assim, também, os partidos oferecem o que não podem garantir – a fidelidade de seus correligionários – A seus interlocutores tampouco querem fidelidade de seus competidores, querem sim os benefícios que podem esperar de um futuro Executivo, que sequer foi eleito. Sai dessa!

Se realmente desejam enfrentar a fragmentação dos nem-nem, parem de discutir nomes – que só a reforça – e passem a discutir programas convergentes, que contornem os vetos mútuos e, em troca, façam mútuas concessões. E ouçam a voz do eleitorado.