PÉROLAS DO DI-A-DIA

PACTO DE NARCISO

Uma pessoa “normal” se olha de manhã no espelho e irremediavelmente fica insatisfeita com o que vê, ou porque esperava mais, ou porque se vê ainda pior do que na véspera. Uns farão um pacto consigo mesmo para melhorar, outros farão um pacto de conformismo com o pior.

Narciso vê sua imagem no lago, apaixona-se pelo que vê, e jura amor eterno. Joga-se nos braços imaginários de sua própria perfeição e morre afogado.

Bolsonaro, que não aprendeu nada com o colapso do governo Collor, criou um desafio de vida ou morte, chamando para a rua um povo, que está tudo menos satisfeito com sua própria sorte, para derrotar seus inimigos imaginários. Teve mais sorte do que Collor, pois a parte do povo que foi para a rua, não veio pedir sua cabeça, mas apoia-lo na parte propositiva de sua agenda: os golpistas, em parte por pedido seu, foram discretos.

Mas Bolsonaro, que não aprendeu nada com o colapso de Dilma, também nada entendeu do recado dos que foram para a rua, nem muito menos da esmagadora maioria que ficou em casa. Como Dilma, decidiu que tudo se resolve com um pacto e, como Dilma, fez um pacto consigo mesmo, ou seja, com a fina-flor do ápice da elite das elites: os chefes de poder.

Tem que se entender com a classe política, seu tonto, e com o povo que a elege (nas democracias representativas).

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