PÉROLAS DA IMPREVIDÊNCIA

O relator da Previdência fez uns pequenos ajustes na proposta do governo, para ela passar na Comissão Especial, diminuindo mais de 30% dos cortes de gastos previstos. Quem não gostaria de uns pequenos ajustes de 30% na sua aposentadoria? Mas o resultado será o contrário.

Muito bem, o deputado parece pensar que, afinal, privilégio não é para sair cortando assim, sem mais nem menos, que ninguém é de ferro. Paulo Guedes, não só pensa, mas diz que o parecer do relator é um aborto. Talvez ambos tenham razão: Paulo Guedes esperava que a Câmara parisse um novo Brasil, com políticas equilibradas e um golpe mortal nas desigualdades. Mas esqueceu de combinar com o governo, que repete o tempo todo que isso não é da sua conta.

Sem um governo para propor sangue suor e lágrimas, políticas custosas mas indispensáveis, o mínimo múltiplo comum é o máximo que se pode esperar de uma assembléia. Se a resposta da Comissão Especial da Previdência é um aborto, é porque espelha a natureza da nossa representação política nacional.

Ministro, o governo pode a qualquer momento patrocinar, direta ou indiretamente, emendas na comissão e no plenário! E ainda pode fazer o mesmo no Senado. Mas o governo de que Paulo Guedes faz parte não vai se mexer. Bolsonaro tem mais o que fazer, cuidar das regras de trânsito, promover passeatas de protesto para promover a oposição, criar inimigos, armar os carreteiros, beijar suspeitos de estupro…

Gostaria muito se alguém me explicasse qual é a diferença entre o parecer do relator e o substitutivo do centrão.

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