MAIOR A ÁRVORE, MAIOR O TOMBO

ASCENSÃO E QUEDA DA LAVA JATO?

Quando o PGR Janot decidiu derrubar o governo Temer a qualquer custo, começou pelas bordas, abrindo investigações contra os mais prováveis candidatos à sucessão presidencial, entre ministros e outras lideranças. Temer, fraco como era, foi logo dizendo que quem quer que fosse investigado – mesmo sem indiciamento e condenação – teria que se afastar. Depois pagou caro, pois com isso avisaria Janot que ele tinha o campo livre para levantar as suspeitas que bem entendesse, e que seria cada um por si. O que evidentemente incentivou o PGR a ir para cima do próprio Temer.

Desde então, não tive dúvida de que haveria uma longa lista de alvos com personalidades chave do governo Temer, e que seria uma questão de tempo encontrar um pretexto e um alvo. Aos poucos foi ficando mais claro que os procuradores da Lava Jato iriam manter investigações no bolso da algibeira para uma ocasião propícia.

A única coisa que me surpreendeu quando agora alvejaram José Serra com enorme estardalhaço, foi o timing: por que o Serra e por que agora? Logo me dei conta de que a sobrevivência da Operação Lava Jato está sob chumbo grosso da dupla BolsonAras – aliás, querem acabar com o próprio princípio das Forças-tarefa e isso justifica plenamente que seus procuradores mostrem serviço com tanto estardalhaço. O recrudescimento de facções nas diferentes procuradorias e polícias, propiciado pela ação deletéria do nosso Presidente, traz muito maus agouros.

Infelizmente, o modus operandi da Lava Jato, tantas vezes tangenciando as zonas cinzas do Estado de Direito, e com grandes doses de exibicionismo, foi o que permitiu que seus procuradores alcançassem o pódio do heroísmo. Mas pode decretar sua perdição, pois, para o bem e para o mal, criaram inimigos demais. Quem irá agora defendê-los do desmantelamento já iniciado pela dupla BolsonAras: o Congresso, o Supremo? Por enquanto apenas eles mesmos e Sérgio Moro.

Este, que se diz inspirado na Operação Mãos Limpas na Itália, frequentemente comentou que o fracasso daquela operação ocorreu em consequência da partidarização dos procuradores. Ele desfrutou de todas as prerrogativas para conter a partidarização dos procuradores da Lava Jato, quando se manifestaram abertamente. Agora é tarde.

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