FACE À IRA DO POVO E AO DESPREZO DOS GRANDES

BOLSONARO, ATÉ QUANDO?

As condições para o desfecho inglório do governo Bolsonaro estão dadas: a ira do povo e o desprezo da elite. Quando os tempo amadurecerem, será fácil escolher um pretexto.

Desde a transição entre o governo Temer e o presidente eleito Bolsonaro, venho dizendo que a probabilidade deste último concluir seu mandato era escassa. De lá para cá, agravaram-se todas as condições adversas que sustentam essa hipótese.

Bolsonaro nunca contou com maioria na sociedade e no sistema político. Tampouco se mostrou empenhado em expandir essa minoria. Isolou-se dos demais poderes, que tratou com desdém e hostilidade. Propôs um pacto com o Supremo e o Congresso, que não quiseram ou não puderam submeter-se a seus caprichos. A nova versão de pacto, proposta dias atrás, parece uma nova tentativa de terceirizar o ônus de governar, diante do fracasso de comprar o Congresso.

Uma vez que falhou a confrontação permanente com o Parlamento, Bolsonaro passou a delegar, para ao grupo de militares palacianos, a relação do governo com o Congresso. A tentativa falhou e, não se dispondo a negociar com o Congresso, Bolsonaro tentou comprar o chamado “Centrão”.

O Centrão é uma coalizão de veto, que pode compor a maioria, tanto para aprovar uma pauta, como para derrubar outra. Mas não tem consenso suficiente para definir uma agenda programática, nem interesse em ter a responsabilidade de governar.

O arranjo final, com poucas chances de mudar, consistiu em ceder às demandas do Centrão, não apenas entregando ministérios, mas aceitando carimbar suas indicações. O resultado foi que o presidente se tornou refém do Centrão, o qual não se acanhou em simultaneamente contribuir para o descontrole da administração, e devolver-lhe o ônus de governar.

O envolvimento pessoal de Bolsonaro no desmonte do Ministério da Saúde e de toda a boa política sanitária, atraiu para ele a insatisfação com a má gestão da crise pandêmica por seu governo. Com isso, atraiu todo o medo, a dor e a incerteza do povo, que o Centrão sequer hesitou em jogar em seu colo.

Sua base de apoio parlamentar está rebelada, os empresários desembarcam, a elite pensante se manifesta com pesadas críticas, sua popularidade se esvai e, em seu lugar, surge a ira do povo. Só falta um bom pretexto.

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