CORROMPER OU CONVENCER: EIS A QUESTÃO

TUDO VELHO DE NOVO, UM DILEMA BOLSONARÍSTICO

Quando o principal negociador do governo com a classe política, o general Ramos, declara que as indicações dos políticos servirão para nomear apenas quem estiver “alinhado com o governo”, não deveria ser notícia. Notícia seria se o governo anunciasse que só iria nomear adversários. Mas o atual nomeador geral da República, na prática, está anunciando que “tudo continua como dantes no quartel do seu Abrantes”. Isto é, como não aceita negociar com a classe política em torno de agendas, o Presidente vai aceitar indicações para postos executivos no governo em troca de votos no Congresso. Sobretudo quando suas agendas pessoais estão em jogo.

Que o nomeador geral da República chame de republicano o que os governos petistas chamavam de governabilidade, apenas confirma que, na maioria das práticas da Nova Política, por oposição à Velha Política, os sinais são invertidos, mas a atitude com relação a todos os que não escrevem pela mesma cartilha é a mesma: governa-se com o consentimento dos fiéis e compra-se os demais. Na sua relação com os partidos e a representação nacional, o governo não se empenhou, até agora, em convencer, mas sim em corromper, que é como o governo Bolsonaro trata o toma-lá-dá-cá quando praticado pela Velha Política.

Quem quer que tenha conhecimento sumário das relações de poder nas democracias representativas, sabe que a política é a arte de fazer concessões em troca de concessões. Por isso, vejo com pessimismo a capacidade que os governos plebiscitários tem de não aprender com os erros dos outros nem, muito menos, com os próprios erros.

Sarney, Collor, Lula, Dilma e Temer foram traídos pela imensa maioria que pensavam ter comprado. Como dizia um velho professor da Faculdade Nacional de Filosofia da velha Universidade do Brasil, “as mesmas causas produzindo os mesmos efeitos… não se pode esperar outra coisa”.

#BolsonaroToma-lá-dá-cá #Políticadoméstica #GovernoPlebiscitário.

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