BOLSONARO CONTRA O MUNDO INTEIRO

ATAQUE SEMPRE OS CULPADOS (MESMO QUE TENHA QUE INVENTA-LOS)

A Assembleia Geral das Nações Unidas raramente tem sido importante para o Brasil. E nem sempre é julgada importante pelos presidentes em exercício, a não ser quando precisam dar um recado para casa.

Todo chefe de Estado que se sente obrigado a participar fala sempre para casa, embora deva ter em mente que está falando lá fora. Apenas os países mais poderosos se sentem fortemente impelidos a falar para o público externo. Assim sendo, todos precisam estabelecer um equilíbrio fino entre falar para dentro e falar para fora.

Quanto a nosso Presidente, definitivamente, equilíbrio fino não é com ele. Como Bolsonaro atua em política como numa arena em que o ataque é a melhor defesa, aproveitou o palanque global para polarizar com o mundo inteiro.

Dentre os 22 itens abordados em seu discurso, 11 foram ataques a adversários políticos, “ideologias”, países, instituições (inclusive a ONU), ativistas, à mídia em geral, às terras indígenas, a terroristas, às perseguições contra cristãos. Considero seu discurso diante da mais importante plateia do mundo algo mais do que apenas palavras. Trata-se de um ato político, o que corrobora duas hipóteses que avancei recentemente: de que Bolsonaro tem um modus operandi que consiste em sempre atacar um culpado, quer exista, quer precise ser inventado; e segundo, que ele atua para criar uma arena polarizada entre extremos, inviabilizando todas as opções intermediárias.

Com isso, sua mensagem para o mundo inteiro é uma ofensa genérica contra países e instituições, que reforça a má vontade de uns e a cria nos demais. Ninguém que não se envergonhe de ser brasileiro pode ficar contente em virar alvo do escárnio da humanidade. Quanto à mensagem para dentro de casa, na medida em que difunde no mundo inteiro, em nosso nome, meias-verdades e inteiras inverdades, só contribui para aumentar os quase 70% que já não consideram seu governo ótimo nem bom nem ótimo, e os quase 60% que já não confiam no próprio Bolsonaro, segundo o Ibope divulgado hoje.

Enquanto mesmo seus mais equilibrados subordinados se conformam em dizer que “ele é assim mesmo”, o Presidente caminha a passos cada vez largos para a quase unanimidade de rejeição. Foi o que aconteceu com os dois últimos que o precederam no cargo.

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