AQUELA LUZ NO FIM DO TÚNEL?

ESTÁ PISCANDO

Como um raio em dia ensolarado, eis que Bolsonaro promove uma “motocada” em quê, muito além dos insultos habituais ao Estado democrático de direito, à dignidade e à inteligência dos brasileiros, lançou um desafio às Forças Armadas: convocou um general da ativa a participar ostensivamente de um comício, em desrespeito aos regulamentos vigentes e sujeitando-o às punições regimentais. Sua conduta desencadeou um jogo de perder ou perder.

Isto é, se cumprir seu dever, o Comandante do Exército desautoriza a autoridade máxima do País. Se não cumprir, pressionado pelas promessas presidenciais de anular qualquer punição, além de omitir-se de seus deveres, perde a face e a legitimidade para exercer suas funções de liderança.

Caso Bolsonaro seja desautorizado, teria duas opções, ou recuar e perder sua pretensão à onipotência, semeando raiva e ranger de dentes entre seus louvadores, diminuindo ainda mais seu capital de votos seguros, ou desautorizar o Alto Comando do Exército, o que provocará uma perda irreparável para o próprio presidente. São muitas as combinações possíveis, mas as consequências para Bolsonaro são o que mais importa.

Se perde a face, mesmo parcialmente, diminui, por um lado, sua capacidade para arrebanhar seus fiéis seguidores numa demonstração maciça de força, que fosse suficiente para tratorar as instituições, ou para levar seu rebanho às urnas. E, por outro lado, corrói seu poder de atração sobre as camadas militares inferiores, das quais tem sido uma espécie de porta-voz sindical. Neste caso, as consequências variam desde um desprestígio superficial, até o surgimento de novos aventureiros militares dispostos a disputar seu lugar. Sem falar em sua perda total de credibilidade junto ao alto comando das Forças Armadas que, a partir daí, poderia peitá-lo sempre que necessário.

Se desautoriza o Comandante do Exército, terá que confrontar seu Alto Comando e pôr em xeque toda a hierarquia das Forças Armadas, desencadeando o que o vice Mourão classifica, não sem razão, como anarquia. O último Presidente que fez o mesmo foi João Goulart, que participou de uma manifestação de praças e sargentos insurgidos e foi derrubado em 1° de abril de 1964.

Já estávamos nos acostumando com esses surtos intermitentes de insanidade presidencial, sempre contidos interna corporis, supostamente por seu entorno de generais, tidos como parte racional de seu governo. Não mais. Seus generais na Defesa e na Casa Civil não conseguiram ou, o que é mais provável, não acharam relevante barrar essa insanidade.

É cada vez mais difícil manter um mínimo de otimismo.

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